5.7.08

OS dois tinham apenas acabado a refeição, o que lhes conferia aquele poder de poder resolver todos os problemas do mundo. Nada que não durasse até o próximo aperto do estômago, no entanto:
- Sabe Jair, tive uma idéia.
- O que é? retrucou Jair, aquele daquela mania estranha de perguntar a todo mundo “o que é que é?”, sem motivo.
- Vamos de café, já te conto.
Passaram a tomar o cafezinho bem mal feito do lugar, sorvendo pequenos goles de cada vez, e o Jair a por umas pitadinhas de açúcar depois de todos eles - “sabe como é que é... diminui a acidez.” Açúcar é aquele pozinho que, se não usar, amarga o café que é o diabo.
- Qual era mesmo aquela sua idéia, ô Jorge?
- Sabe que é realmente uma boa idéia, Jair. Uma boa idéia.
- Bom, se é o que é... Retrucou o Jair, aquele daquele tique estranho de repuxar a orelha direita, assim, meio de lado, e perguntar “ela tá olhando pra mim? Tá?”
- Garção, disse Jorge, traz aqui um licorzinho daquele de jenipapo, tá bom?
- Opa, que eu quero um também - lá vem o Jair de novo.
- Tá vendo aqui, ô Jorge, olha só como meu braço ficou mais grosso, olha aqui.
- Foi até uma boa idéia começar a malhar um pouco, não é, Jair?
- Ô Jorge, me conta aquela idéia sua lá, a que era boa.
- Sabe, Jair, que essa idéia podia acabar com o problema de muita gente.
- É mesmo Jorge?
- É o seguinte...
E então entra aquela menina maravilhosa, que nunca atende a ninguém, altiva, maravilhosa.
- Olha lá, olha lá, ela tá olhando pra mim, tá? Pergunta o Jair, aquele daquela maneira desagradável de não prestar atenção no que lhe falam.
E a idéia... Bom, era uma boa idéia.
E quando presta, concorda.

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