E uma época em que eu acreditava ter e ser mais do tinha e era e podia acreditava traduzir pessoas e andar imaculado como se vestindo uma redoma ou ao invés como diria uma concha hermética e vetusta findo o oceano infinito da baleia. Eu podia andar e menosprezar qualquer ser vivo andante ou pensante; eu acreditava que a garota não aceitara se despir porque há uma regra geral feminina relativamente à condição de seus pêlos das pernas, e havia a crença que mesmo vendo a trapaça na conta mínima do bar o menor dos destemperos era ser ínfimo na nota e remover uns trocados em favor consigo. À visão de uma notação mal colocada voltada à direita, rara, de um mestre eu podia desmerecer-lhe eternamente e, ainda assim, mesmo não tendo soberba com nota, reprovar na matéria. Afinal, ao controlar o mundo com meu pequeno condão superestimado no fim era mais controlado do que revoltado - ou consciente. Sempre há cavaleiros a te conduzir e, para amenizar a acachapante incompreensão do caminho a que me levavam batalhava na invencível batalha de ser favorito introjetado enquanto pelego do mundo que acercava. Como revoltar-me com um esquema sendo que eu mesmo na oportunidade apresentada tentava aplicar algum?
Afinal, a garota só brincava de fazer-me sentir importante, afinal os trocados faltaram e, no fim, bem no final ressenti-me da falta das notas, da normalidade, da retidão e do espelho. Restou-me celebrar uma rebarba de vergonha eterna e a jamais superada patética constatação de que quanto mais esperamos controlar em falta mais nos falta o controle que pretendemos.

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