25.7.06

Em uma distante época um camarada quis terceirizar um bilhete poético para uma garota qualquer na cidade do interior.
Naquela época era comum "jogar rosas", qual seja a proeza: um destemido pulava no jardim de uma casa que contivesse roseiras, roubava um botão. Arriscava o tornozelo na boca do cachorro e um espinho no pêlo da mão. Corria. Reservava. Escrevia um bilhetinho, normalmente poético, contendo uma breve declaração de amor à pretendida. Juntava, os jogava na garagem da dita. No próximo bailinho, suspense.
Eu então escrevi para ele(a) Estás atada a mim por amarras tecidas com as cordas da minh'alma. Não assinei Ahab, tampouco a garota era uma baleia. Foram-se por cima do muro.
Acho que ela não entendeu.
Acho que ele não entendeu, mas comeu.
Não entendi.

2 comentários:

Asceta disse...

Para ter certeza de que ele não seria digerido, talvez devesse amarrá-lo numa lagartixa.

Anônimo disse...

Isso aqui anda fazendo juz ao nome...