27.6.05

Da viagem de ônibus para o interior no final de semana:
- Antes da minha saída, uma pomba manca (sem um dos "pés") tentava sorver sofregamente uma quase seca poça de água na plataforma de embarque. Pensei que ela se arriscava assim e ainda assim obtendo pouco sucesso ao tomar suas gotas por não ter um dos pés, e porque mancava demais e deslocar-se lhe era extremamente difícil. Com pena da pobre ave, e sentindo-me pena, sempre que possa introjetar defeitos ou me transmutar em animais defeituosos, repentinamente me senti ridículo assim que ela singelamente bateu as asas e voou para longe, ao aviso de um "carro" que chegava (os motoristas de ônibus não os chamam de "ônibus", mas de "carros"). Posso sentir pena de uma pomba perneta, mas nunca, ao menos nesse universo e nessa encarnação, poderei simplesmente bater asas que não tenho e voar sem ter aonde como não tenho.
- Fiquei triste pensando na transitoriedade das coisas frente à excitação de um período. Um período excitante pode se estender de alguns segundos até vários anos, mas não resiste a um bom banco de praça. Nesses bancos você pode ler o passado do comércio local expresso em números de telefone que às vezes não chegam a 4 dígitos, por exemplo: Pharmácia do Gregório, tel: 3421. Foi-se o Gregório, foi-se sua farmácia, mas ficou seu grande projeto de propaganda estática me tirando a graça no meio da praça.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sensacional seu post quotidiano. Quase um conto.

Oswaldo Akamine disse...

Por que o triste é belo?

Anônimo disse...

nacca, o pior é que é quase tudo verdade... ehe.

clyde, é vero.